A Forja das Almas

Sob o calor dA Forja, a Criação se inicia

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The Mindscape of Alan Moore – more than meets the eye

Publicado por Yuri Peixoto em 27/04/2009

Uma das grandes vantagens da diversidade eclética trazida pela ayahuasca, e pelas experiências no campo cognitivo e sensorial, é a ruptura com conceitos pré-estabelecidos de Unidade Divina. Há sim, uma Unidade, um Todo maior e indivisível, que permeia todas as existências. Mas entre esse Todo, e a nossa condição humana, eu sempre acreditei na existência de seres que preenchem este espaço. Não há um vazio entre nós e Deus. Na verdade, eu sempre acreditei que tudo preenchia o todo.

The Mindscape of Alan MooreEsse final de semana, assisti o documentário The Mindscape of Alan Moore. Para quem não sabe quem é o sujeito, Alan Moore é o criador de obras clássicas dos quadrinhos, e várias delas já foram parar nas telonas. Você já deve ter “assistido um gibi”, mesmo sem saber que se tratava disso:

  • V de Vingança;
  • A Liga Extraordinária;
  • Do Inferno;
  • Watchmen;
  • Constantine.

Como já dá para perceber nesses filmes/quadrinhos, a Magia, a espiritualidade, e a noção da existência sempre permearam a obra desse escritor inglês. E neste documentário sobre ele, muito do que ele pensa, crê e define está exposto. O que me faz gostar mais ainda do Mago.

Ao assistir esse documentário, um dia após o casamento da Mari (onde discutíamos justamente isso – espiritualidade, choques culturais, e aceitação da diversidade do universo), veio como um bálsamo reparador. O documentário em si apenas serviu para refletir minhas próprias idéias, e serviu como embasamento para que eu busque mergulhos mais profundos na minha própria vivência, e na vivência do Universo.

felicidade

Não vou resenhá-lo aqui. Resenhas já foram feitas em vários sites, é um documentário já um pouco antigo. Se você for bom de buscas no Google, acabará até encontrando o documentário inteiro, e com legendas. Vou deixar apenas um trecho para reflexão (extraído do excelente Saindo da Matrix – créditos para eles):

The Mindscape of Alan Moore:

Quando cumprimos a vontade de nosso verdadeiro Eu, nós estamos inevitavelmente cumprindo com a vontade do universo. Na magia ambas as coisas são indistinguíveis. Cada alma humana não é, de fato, UMA alma humana: é a alma do universo inteiro. E, enquanto você cumprir a vontade do universo, é impossível fazer qualquer coisa errada.

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com “E” maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é particularmente a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura. Creio que é por isso que as pessoas mergulham no álcool, nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, e pode ser vista como uma tentativa deliberada de destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de aceitar e possuir um Eu superior, e então ter que mantê-lo.

Tenho estudado a escola da história do pensamento mágico e o ponto em que começou a dar errado. No meu entender, o ponto em que começa a dar errado é com o monoteísmo. Quero dizer, se olhar a história da magia, verá suas origens nas cavernas, verá suas origens no xamanismo, no animismo, na crença de que tudo o que te rodeia, cada árvore, cada rocha, cada animal foi habitado por algum tipo de essência, um tipo de espírito com o qual talvez possamos nos comunicar. E ao centro você tinha um xamã, um visionário, que seria o responsável por canalizar as idéias úteis para a sobrevivência. No momento em que você chega às civilizações clássicas, verá que tudo isto foi formalizado até certo grau. O xamã atuava puramente como um intermediário entre os espíritos e as pessoas. Sua posição na aldeia ou comunidade, imagino, era a de um “encanador espiritual”. Cada pessoa no grupo devia ter seu papel: A melhor pessoa durante uma caçada tornava-se o caçador, a pessoa que era melhor pra falar com os espíritos, talvez porque ele ou ela estivesse um pouco louco, um pouco separado do nosso mundo material normal, eles tornavam-se os xamãs. Eles não seriam mestres de uma arte secreta, mas sim os que simplesmente espalhariam sua informação pela comunidade, porque se acreditava que isto era últil para todo o grupo. Quando vemos o surgimento das culturas clássicas, tudo isso se formalizou para que houvesse panteões de deuses, e cada um destes deuses tinha uma casta de sacerdotes, que até certo ponto atuariam como intermediários, que te instruiriam na adoração a estes deuses. Então, a relação entre os homens e seus deuses, que pode ser vista como a relação entre os humanos e seus “Eus” superiores, não era todavia de um modo direto.

Quando chega o cristianismo, quando chega o monoteísmo, de repente tem uma casta sacerdotal movendo-se entre o adorador e o objeto de adoração. Tem uma casta sacerdotal convertendo-se em uma espécie de gerência intermediária entre a humanidade e a divindade que está se buscando. Já não se tem mais uma relação direta com os deuses. Os sacerdotes não têm necessariamente uma relação com Deus. Eles só têm um livro que fala sobre gente que viveu há muito tempo atrás que teve relação direta com a divindade. E assim está bom: Não é preciso ter visões milagrosas, não é preciso ter deuses falando contigo. Na verdade, se você tem algo disto, provavelmente está louco. No mundo moderno, essas coisas não acontecem; as únicas pessoas as quais se permite falar com os deuses, e de um modo unilateral, são os sacerdotes. E o monoteísmo é, pra mim, uma grande simplificação. Eu quero dizer, a Cabala tem uma grande variedade de deuses, mas acima da escala, da Árvore da Vida, há uma esfera que é o Deus Absoluto, a Mônada. Algo que é indivisível, você sabe. E todos os outros deuses, e, de fato, tudo mais no universo é um tipo de emanação daquele Deus. E isto está bem. Mas, quando você sugere que lá está somente esse único Deus, a uma altura inalcançável acima da humanidade, e que não há nada no meio, você está limitando e simplificando o assunto.

Eu tendo a pensar o paganismo como um tipo de alfabeto, de linguagem. É como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certa sutileza de idéias, enquanto o monoteísmo é só uma vogal, onde tudo está reduzido a uma simples nota, que quem a emite nem sequer a entende.

Aguardo vocês na noosfera. ^^

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Outlander – Resenha

Publicado por Yuri Peixoto em 13/04/2009

Outlander poster Título Original: Outlander
Título Traduzido: Guerreiro Vs Predador
Gênero: Ação | Aventura | Sci-Fi
Duração: 1:55 min
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Howard McCain
» Elenco
James Caviezel … Kainan
Sophia Myles … Freya
Jack Huston … Wulfric
Ron Perlman … Gunnar
John Hurt … Rothgar

 

 

 

Assisti a esse filme semana passada, e não podia ficar sem deixar uma resenha aqui. O filme em si é interessante, divertido, e vale a pipoca paga. Diferente de outras resenhas que circulam pela net, não vou perder tempo dizendo o que acho ou não acho que a tecnologia alienígena seja capaz de fazer. Mas vamos à história:

Uma nave alienígena cai na Terra, na Noruega, e no período dos vikings. Dela emergem dois sobreviventes: Kainan, interpretado por Jim Kaviezel, e uma criatura monstruosa chamada de Moorwen. É nessa hora que o negócio começa a ficar interessante. Moorwen começa a atacar as vilas próximas, e o estrangeiro (Kainan) é capturado e acusado dos ataques. Mas tudo muda quando Moorwen ataca os captores de Kainan. Acreditando agora no “dragão” de quem o forasteiro falava, os vikings se armam contra o monstro.

Moorwen

É um novo 13º Guerreiro? Nem de longe, e nem com muita boa vontade. Possui furos na história? Sim, especialmente pelo fato de que ela lida com alienígenas. Com isto, é um filme ruim? Não, muito pelo contrário:

  • a história é bem amarrada;
  • a fotografia é linda (as filmagens foram feitas no Canadá);
  • as cenas de CG, especialmente o Moorwen, são muito bem feitas;
  • há mais do que se aparenta, especialmente na história e nos motivos do Moorwen;
  • tem vikings pra todo lado;
  • Ron Perlman está ótimo como Gunnar;

Enfim, temos uma história ok, com vikings, dragões alienígenas, e muita porrada. Como todo filme do gênero, temos alguns que não vão com a cara do estrangeiro, temos mocinhas que suspiram por ele, e temos finais que poderiam ter ficado melhores, mas que não ficaram exatamente ruins.

Kainan e Wulfric

Logicamente, como minha mente insana viu o filme:

“Era uma vez, um certo navegante do Phlogiston chamado Kainan, que singrava os espaços no seu Spelljammer. Após uma ferrenha luta contra um Steel Predator, a criatura acaba destruindo a nave, que cai em Dhemor (ou qualquer outro cenário de campanha). Os heróis então passam a ter de auxiliar o viajante dos mares do espaço a eliminar a ameaça extraplanar. :)

Sim, mente de DM é uma coisa estranha, mesmo.Steel Predator

Ah, para quem não conheçe: O Steel Predator é uma criatura que foi lançada no suplemento Fiend Folio, e que possui uma adaptação para a 4ª edição de D&D bem aqui.

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