Olá a todos. Como podem ver, não morri. Só virei zumbi por umas duas semanas.

Powercards
Problemas de saúde e excessos no trabalho me isolaram um pouco daqui, mas finalmente estou de volta, e com um post-rant. Portanto, se estiverem muito sensíveis, passem longe.
Bom, dia desses estava mestrando rpg, e apesar de estar focado no que estava narrando para os jogadores ativos no momento, meu radar de DM captou meu parceiro lá do Dado Mestre, o grande Ataualpa, dando sua opinião a respeito da tradução da classe Warlord. Como estou a fim de deixar minha opinião sobre esse assunto, aqui está ela, nua, crua, e minha.
Uma das opiniões levantadas pelo meu parceiro é o fato de que o Senhor da Guerra é a única classe de nome composto no Brasil.
Primeiro, eu gostaria de saber se isso é realmente um problema. É? É mesmo? Por quê? Qual o problema de uma classe com o nome composto? Ela é “mais especial” por o ter, ou ela é “menos especial”, por ter um nome composto? Eu sinceramente não entendi onde está o problema, e não vi isso como um problema de tradução.
War-Lord é um nome inglês composto! Aliás, também é a única classe com nome composto lá fora também. Então, não temos problemas na tradução, e sim “problemas no nome da classe”.
Segundo, foi apresentada a seguinte situação:
“O que você faz, aventureiro?”
“Eu sou um guerreiro.”
“E você?”
“Eu sou um Senhor da Guerra!”
Justo. Analisando essas frases assim, fora de contexto, dá até pra se pensar que a tradução pecou. Mas novamente, a tradução não pecou. Vejam o que digo:
“What do you do, hero?”
“I´m a fighter.”
“And you?”
“I´m a Warlord!”
Viram? A culpa, primeiro de tudo não é da tradução. No idioma original, daria o mesmo “problema’. Agora, esse problema só é um problema mesmo, devido ao fato de que estamos levando em conta a nomenclatura interna das regras de um jogo e a comparando com os termos técnicos da vida real.
Ou seja, estamos procurando chifres em cabeça de cavalo.

O Senhor da Guerra
D&D possui uma coerência interna. O jogo não é real, nem tenta ser. Mas as regras apresentam uma coerência interna, que busca criar uma consistência com as regras de jogo e seus cenários. Isto posto, podemos atentar para o fato de que, no jogo de Dungeons & Dragons, o termo “Warlord’, ou “Senhor da Guerra”, significa um sujeito que tem treinamento tático militar. Isso não quer dizer necessariamente que o membro dessa “profissão” seja O Senhor da Guerra, apenas que ele pertence a uma profissão que tem esse titulo? Complicado?
Não muito. Basta levar em conta nossos regionalismos, que nada tem a ver com o termo real. Steve Jackson (o do GURPS), quando veio ao Brasil achou interessante o termo “twist the girl from Bahia” – sim, o nosso bom e velho “rodar a bahiana”. Ele gostou mais ainda porque o termo nada tem a ver com rodar a bahiana, e sim com dar chilique.
Na coerência interna da língua portuguesa, faz sentido. Pois é. Na coerência interna do D&D, Warlord é uma profissão. Pronto. Sem muito mistério, segredo, nem nada. E acreditem, funciona.

Pois bem, aqui está mais um post, e em breve aguardem mais alguns.
Vejos vocês na taverna.