A Forja das Almas

Sob o calor dA Forja, a Criação se inicia

Posts de Abril, 2009

Wizards disponibiliza Keep on the shadowfell de graça

Publicado por Yuri Peixoto em 29/04/2009

Cooooorre, negada! Pois é. Após angariar uma grande má vontade do público devido à proibição da venda de pdfs originais (numa tentativa, a meu ver, inútil de conter a pirataria), a nossa querida Wizards of the Coast começou a querer “virar o jogo”.

Primeiro, abriram um canal de comunicação direto com a diretoria. Receberam algumas broncas das boas, mas acabaram dando um feedback legal, incluindo a possibilidade de publicarem material de Forgotten Realms pré 4th Edition!!!

Abaixo segue parte da conversa do Greg Leeds com um consumidor:

To put it short, here are the main points as far as I can remember them. Note that these are my own words, as I could not record the phone call
* My (and your) voice was heard.
* Wizards is happy with the 4E sales. Wizards is even fine with the fact that a fraction of the gamers went to Paizo. As long as everybody plays D&D that’s fine.
* The negative voices on the message boards don’t reflect the sales numbers of 4E which is going strong
* Wizards can’t make anybody happy.
* Wizards tries to evolve the game every ten years or so. Greg compared it to bands that change their style over the years, and thus loose old fans and get some new fans. But in the end Wizards hope to get everyone back.
* Wizards will not resume pdf sales in the same way they did before. Obviously Wizards believes that there are possibilities to sale electronic content that is mostly pirate-proof.
* Wizards will not support 3E parallel to 4E.
* But (and now for the big news) Wizards is looking for ways to publish old (i.e. pre 4E Realms) contents in form of electronic media.

Para ler tudo na íntegra, acesse o blog do Markus.

E agora, creio eu que numa tentativa de divulgar mais a 4ª Edição, e de tirar um pouco a imagem negativa que ficou com a proibição da venda de pdfs originais deles, a empresa decidiu disponibilizar, gratuitamente em seu site, a aventura H1 – Keep on the Shadowfell, e o Quick Start Rules.

Sei que não é a mesma coisa que ter o produto impresso, bonitinho na prateleira (ainda mais com os excelentes mapas que vêm junto), mas é uma idéia feliz, e acho que chegou numa boa hora.

Keep on the Shadowfell

Parabéns pra Wizards!!!

Ah, creio que vocês querem o link para o download, não?

Aqui está!

Agradeço ao grande Nibelung, do Fórum SpellRPG, por divulgar essa excelente notícia.

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The Mindscape of Alan Moore – more than meets the eye

Publicado por Yuri Peixoto em 27/04/2009

Uma das grandes vantagens da diversidade eclética trazida pela ayahuasca, e pelas experiências no campo cognitivo e sensorial, é a ruptura com conceitos pré-estabelecidos de Unidade Divina. Há sim, uma Unidade, um Todo maior e indivisível, que permeia todas as existências. Mas entre esse Todo, e a nossa condição humana, eu sempre acreditei na existência de seres que preenchem este espaço. Não há um vazio entre nós e Deus. Na verdade, eu sempre acreditei que tudo preenchia o todo.

The Mindscape of Alan MooreEsse final de semana, assisti o documentário The Mindscape of Alan Moore. Para quem não sabe quem é o sujeito, Alan Moore é o criador de obras clássicas dos quadrinhos, e várias delas já foram parar nas telonas. Você já deve ter “assistido um gibi”, mesmo sem saber que se tratava disso:

  • V de Vingança;
  • A Liga Extraordinária;
  • Do Inferno;
  • Watchmen;
  • Constantine.

Como já dá para perceber nesses filmes/quadrinhos, a Magia, a espiritualidade, e a noção da existência sempre permearam a obra desse escritor inglês. E neste documentário sobre ele, muito do que ele pensa, crê e define está exposto. O que me faz gostar mais ainda do Mago.

Ao assistir esse documentário, um dia após o casamento da Mari (onde discutíamos justamente isso – espiritualidade, choques culturais, e aceitação da diversidade do universo), veio como um bálsamo reparador. O documentário em si apenas serviu para refletir minhas próprias idéias, e serviu como embasamento para que eu busque mergulhos mais profundos na minha própria vivência, e na vivência do Universo.

felicidade

Não vou resenhá-lo aqui. Resenhas já foram feitas em vários sites, é um documentário já um pouco antigo. Se você for bom de buscas no Google, acabará até encontrando o documentário inteiro, e com legendas. Vou deixar apenas um trecho para reflexão (extraído do excelente Saindo da Matrix – créditos para eles):

The Mindscape of Alan Moore:

Quando cumprimos a vontade de nosso verdadeiro Eu, nós estamos inevitavelmente cumprindo com a vontade do universo. Na magia ambas as coisas são indistinguíveis. Cada alma humana não é, de fato, UMA alma humana: é a alma do universo inteiro. E, enquanto você cumprir a vontade do universo, é impossível fazer qualquer coisa errada.

Muitos dos magos como eu entendem que a tradição mágica ocidental é uma busca do Eu com “E” maiúsculo. Esse conhecimento vem da Grande Obra, do ouro que os alquimistas buscavam, a busca da Vontade, da Alma, a coisa que temos dentro que está por trás do intelecto, do corpo e dos sonhos. Nosso dínamo interior, se preferir assim. Agora, esta é particularmente a coisa mais importante que podemos obter: o conhecimento do verdadeiro Eu.

Assim, parece haver uma quantidade assustadora de pessoas que não apenas têm urgência por ignorar seu Eu, mas que também parecem ter a urgência por obliterarem-se a si próprias. Isto é horrível, mas ao menos vocês podem entender o desejo de simplesmente desaparecer, com essa consciência, porque é muita responsabilidade realmente possuir tal coisa como uma alma, algo tão precioso. O que acontece se a quebra? O que acontece se a perde? Não seria melhor anestesiá-la, acalmá-la, destruí-la, para não viver com a dor de lutar por ela e tentar mantê-la pura. Creio que é por isso que as pessoas mergulham no álcool, nas drogas, na televisão, em qualquer dos vícios que a cultura nos faz engolir, e pode ser vista como uma tentativa deliberada de destruir qualquer conexão entre nós e a responsabilidade de aceitar e possuir um Eu superior, e então ter que mantê-lo.

Tenho estudado a escola da história do pensamento mágico e o ponto em que começou a dar errado. No meu entender, o ponto em que começa a dar errado é com o monoteísmo. Quero dizer, se olhar a história da magia, verá suas origens nas cavernas, verá suas origens no xamanismo, no animismo, na crença de que tudo o que te rodeia, cada árvore, cada rocha, cada animal foi habitado por algum tipo de essência, um tipo de espírito com o qual talvez possamos nos comunicar. E ao centro você tinha um xamã, um visionário, que seria o responsável por canalizar as idéias úteis para a sobrevivência. No momento em que você chega às civilizações clássicas, verá que tudo isto foi formalizado até certo grau. O xamã atuava puramente como um intermediário entre os espíritos e as pessoas. Sua posição na aldeia ou comunidade, imagino, era a de um “encanador espiritual”. Cada pessoa no grupo devia ter seu papel: A melhor pessoa durante uma caçada tornava-se o caçador, a pessoa que era melhor pra falar com os espíritos, talvez porque ele ou ela estivesse um pouco louco, um pouco separado do nosso mundo material normal, eles tornavam-se os xamãs. Eles não seriam mestres de uma arte secreta, mas sim os que simplesmente espalhariam sua informação pela comunidade, porque se acreditava que isto era últil para todo o grupo. Quando vemos o surgimento das culturas clássicas, tudo isso se formalizou para que houvesse panteões de deuses, e cada um destes deuses tinha uma casta de sacerdotes, que até certo ponto atuariam como intermediários, que te instruiriam na adoração a estes deuses. Então, a relação entre os homens e seus deuses, que pode ser vista como a relação entre os humanos e seus “Eus” superiores, não era todavia de um modo direto.

Quando chega o cristianismo, quando chega o monoteísmo, de repente tem uma casta sacerdotal movendo-se entre o adorador e o objeto de adoração. Tem uma casta sacerdotal convertendo-se em uma espécie de gerência intermediária entre a humanidade e a divindade que está se buscando. Já não se tem mais uma relação direta com os deuses. Os sacerdotes não têm necessariamente uma relação com Deus. Eles só têm um livro que fala sobre gente que viveu há muito tempo atrás que teve relação direta com a divindade. E assim está bom: Não é preciso ter visões milagrosas, não é preciso ter deuses falando contigo. Na verdade, se você tem algo disto, provavelmente está louco. No mundo moderno, essas coisas não acontecem; as únicas pessoas as quais se permite falar com os deuses, e de um modo unilateral, são os sacerdotes. E o monoteísmo é, pra mim, uma grande simplificação. Eu quero dizer, a Cabala tem uma grande variedade de deuses, mas acima da escala, da Árvore da Vida, há uma esfera que é o Deus Absoluto, a Mônada. Algo que é indivisível, você sabe. E todos os outros deuses, e, de fato, tudo mais no universo é um tipo de emanação daquele Deus. E isto está bem. Mas, quando você sugere que lá está somente esse único Deus, a uma altura inalcançável acima da humanidade, e que não há nada no meio, você está limitando e simplificando o assunto.

Eu tendo a pensar o paganismo como um tipo de alfabeto, de linguagem. É como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certa sutileza de idéias, enquanto o monoteísmo é só uma vogal, onde tudo está reduzido a uma simples nota, que quem a emite nem sequer a entende.

Aguardo vocês na noosfera. ^^

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Dicas de Softwares – antivírus

Publicado por Yuri Peixoto em 17/04/2009

Vírus PC O legal da internet é que ela nos proporciona um universo inteiro de contatos, de pessoas de boa vontade, capazes de repartir conosco informações, vivências, e experiências que nos ajudam, melhorando e otimizando nossos momentos. Hoje, vou falar um pouco sobre isso.

Antivírus. Não dá pra viver sem ele. A vida útil do PC hoje em dia é ameaça pelas pragas virtuais. Não apenas vírus, mas trojans, keyloggers, e os outros tipos de malwares existentes na internet, prometem infernizar a vida dos usuários da grande rede. Por isso, todo computador que se preze precisa de um software de proteção instalado.

E é aí que começa o drama: qual usar? Um programa pago? Um gratuito? Qual deles vem a ser o melhor?

Pesquisas via Google ou outras ferramentas de busca tendem a não ajudar muito. Infelizmente, encontramos muitas opiniões pessoais na rede, a respeito deste ou daquele software, e o defendem com unhas e dentes, baseados em informações antigas (aquele era o melhor antivírus, há algum tempo atrás), ou então, baseado na experiência pessoal (já que ele nunca deu problema comigo, vai ser perfeito para todo mundo).

Para nossa sorte, nessas horas surge uma luz no fim da rede, que como eu disse, é povoada de pessoas de boa vontade, que estão aí para nos dar uma mão sempre que possível.

O site Av-comparatives realiza testes nos antivírus mais usados no mercado. Os testes avaliam desempenho, velocidade, capacidade de detecção e remoção, e por aí vai.

Os testes são realizados em Março, Junho, Setembro e Dezembro de cada ano, o que mantém a qualidade da informação sempre bem filtrada.

E, não satisfeitos com isso, os camaradas fazem o favor de entregar os resultados dos testes em um sumário bem organizado, em formato pdf, com capa, índice remissivo, e todas as informações necessárias para a tomada de decisões. Em inglês e espanhol. :D

Ah, e pra deixar bem claro: AV-Comparatives é uma .org, uma organização sem fins lucrativos. Nenhuma empresa fabricante de antivírus está doando ou pagando nada para eles fazerem isso. ^^

av comparatives

Portanto… não fique louco, quando o assunto for a decisão sobre qual antivírus usar. Leia, pesquise, busque a informação necessária, e agrege mais “qualidade” à vida do seu PC.

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A Geek way of life

Publicado por Yuri Peixoto em 14/04/2009

Tá certo.

Hoje nem era para ser dia de post… mas como resistir a isso? É melhor que a tesoura com mira laser que já vi por aí… :P

Bom, quem comprar a edição limitada de Resident Evil 5 (U$ 23,99), via eBay, terá o prazer de receber de brinde um pen-drive de 2GB em forma de moto-serra ensanguentada!

SONY DSC

Como bem disseram no Gizmodo, “esse brinquedinho só mata nano-zumbis, mas pode estocar até 2GB de arquivos Umbrella confidenciais”…

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Outlander – Resenha

Publicado por Yuri Peixoto em 13/04/2009

Outlander poster Título Original: Outlander
Título Traduzido: Guerreiro Vs Predador
Gênero: Ação | Aventura | Sci-Fi
Duração: 1:55 min
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Howard McCain
» Elenco
James Caviezel … Kainan
Sophia Myles … Freya
Jack Huston … Wulfric
Ron Perlman … Gunnar
John Hurt … Rothgar

 

 

 

Assisti a esse filme semana passada, e não podia ficar sem deixar uma resenha aqui. O filme em si é interessante, divertido, e vale a pipoca paga. Diferente de outras resenhas que circulam pela net, não vou perder tempo dizendo o que acho ou não acho que a tecnologia alienígena seja capaz de fazer. Mas vamos à história:

Uma nave alienígena cai na Terra, na Noruega, e no período dos vikings. Dela emergem dois sobreviventes: Kainan, interpretado por Jim Kaviezel, e uma criatura monstruosa chamada de Moorwen. É nessa hora que o negócio começa a ficar interessante. Moorwen começa a atacar as vilas próximas, e o estrangeiro (Kainan) é capturado e acusado dos ataques. Mas tudo muda quando Moorwen ataca os captores de Kainan. Acreditando agora no “dragão” de quem o forasteiro falava, os vikings se armam contra o monstro.

Moorwen

É um novo 13º Guerreiro? Nem de longe, e nem com muita boa vontade. Possui furos na história? Sim, especialmente pelo fato de que ela lida com alienígenas. Com isto, é um filme ruim? Não, muito pelo contrário:

  • a história é bem amarrada;
  • a fotografia é linda (as filmagens foram feitas no Canadá);
  • as cenas de CG, especialmente o Moorwen, são muito bem feitas;
  • há mais do que se aparenta, especialmente na história e nos motivos do Moorwen;
  • tem vikings pra todo lado;
  • Ron Perlman está ótimo como Gunnar;

Enfim, temos uma história ok, com vikings, dragões alienígenas, e muita porrada. Como todo filme do gênero, temos alguns que não vão com a cara do estrangeiro, temos mocinhas que suspiram por ele, e temos finais que poderiam ter ficado melhores, mas que não ficaram exatamente ruins.

Kainan e Wulfric

Logicamente, como minha mente insana viu o filme:

“Era uma vez, um certo navegante do Phlogiston chamado Kainan, que singrava os espaços no seu Spelljammer. Após uma ferrenha luta contra um Steel Predator, a criatura acaba destruindo a nave, que cai em Dhemor (ou qualquer outro cenário de campanha). Os heróis então passam a ter de auxiliar o viajante dos mares do espaço a eliminar a ameaça extraplanar. :)

Sim, mente de DM é uma coisa estranha, mesmo.Steel Predator

Ah, para quem não conheçe: O Steel Predator é uma criatura que foi lançada no suplemento Fiend Folio, e que possui uma adaptação para a 4ª edição de D&D bem aqui.

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Boas novas, Más novas…

Publicado por Yuri Peixoto em 07/04/2009

Estava ontem fazendo minha visita semanal pelos meandros rpgísticos da net, quando me deparei com uma excelente notícia. No blog do James Wyatt, temos o grato post mostrando que o Player’s Handbook 2 está absurdamente bem colocado: 24º colocado da semana no USA Today, e 4º no Wall Street Journal.

phb2

Isto só vem corroborar o excelente trabalho dos designers. O Player’s Handbook 2, na minha opinião, aparenta um trabalho mais coeso da equipe de game design da Wizards of the Coast. As raças estão interessantes (destaque pros Devas e pros Gnomos), as classes saltam aos olhos (Avenger, Bárbaro, Warden e Invoker já me conquistaram de cara), e o trabalho final, completo do livro, demonstra empenho e esmero. Isso já havia sido observado por muitos no Open Grave, o que só aumenta as expectativas para os próximos livros que estão a caminho (especialmente o Arcane Power e o Primal Power).

Bem, não vou resenhar o livro. Para terem acesso a uma opinião mais completa sobre o livro, indico a leitura da resenha feita pelo Jean do Castles & Dragons.

Congratulações à Wizards pelo trabalho bem feito.

Agora, as más notícias.

Pelo pouco que pude constatar, Dave Arneson piorou muito ultimamente, e foi internado. Talvez ele tenha somente mais alguns dias de vida, se o quadro dele não mudar. Para quem está chegando agora, e não faz idéia de quem seja Dave, ele é o responsável pela criação de Dungeons & Dragons, e do RPG em si, juntamente com Gary Gigax e Zeb Cook.

dave_arnesonsized

Perdemos Gary recentemente, e agora talvez Dave também nos deixe. Os Grandes Antigos estão indo. Cabe a nós manter a chama da imaginação e da fantasia acesa.

Que Dave e seus familiares recebam minhas orações, e meus desejos de saúde e tranquilidade.

Infelizmente, também perdemos recentemente um dos grandes escribas do fórum Candlekeep: Christian, também conhecido como Jamallo Kreen, partiu para as escarpas douradas de Celestia. Nós, que ficamos, lamentamos sua ausência, grande escriba.

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Até que fiquei tentado…

Publicado por Yuri Peixoto em 06/04/2009


D&D Home PageWhat Class Are You?Build A CharacterD&D Compendium

O engraçado é que eu realmente gostei da classe assim, de cara. ^^

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The Dream is True…

Publicado por Yuri Peixoto em 02/04/2009

ironvert Como explicar, em poucas linhas, 21 anos de tesão reprimido? Quando eu tinha 13 anos, em 1.988, o Iron Maiden estava no ápice. O álbum Seventh Son of a Seventh Son havia sido lançado, e o grupo já estava consagrado no topo das bandas de heavy metal mundial. Foi então que eu os descobri, e foi amor à primeira audição.

Os riffs, os solos, as levadas de bateria, a voz incomparável do Bruce, as letras, tudo extremamente coeso e bem feito. Com uma energia fora do comum, alucinadamente inexplicável.

Bem, de 88 pra cá, muita coisa mudou. Mas meu amor pela Donzela de Ferro nunca arrefeceu. E eis que chegara enfim, minha oportunidade de vê-los ao vivo. Eis que chegara Brasília, 20 de março de 2009.

O Maurício Ângelo descreveu com muita propriedade o que o show significava para mim e para todos, no Revista Movin Up. Iron Maiden é religião, é fé, é amor, pulsação e ritmo. Não dá pra ser descrito em palavras, dá para se viver, e olha lá.

A experiência do show, em si, foi única para mim, por inúmeros motivos. Nunca fui a um show do Iron justamente por questões financeiras. Eu não era humilde, era pobre, mesmo. Faltava a condição, a verba, para eu sair de Araguari para qualquer coisa desse tipo. Como também, desde cedo, assumi responsabilidades financeiras na casa, esse tipo de gasto era considerado heresia, até. Mesmo um gasto com “a fé”.

E eis que desta vez, consigo ir no show mais caro que teve nessa turnê (sim, em Brasília o ingresso foi duas vezes mais caro que em São Paulo). E viajei de Boeing pra Brasília! As coisas mudaram, e mudaram para muito melhor.

A maratona para ver o Maiden começou bem antes, planejando tudo com o Bruno (eu em Cuiabá, ele em Uberlândia – esquemas, o que fazer, como fazer, onde ficar, quem paga o quê), e toda a parafernália logística que precisa ser observada para tal empreitada. Até então, tudo corria extremamente bem. Meu patrão me liberou por cinco dias, a verba estava no banco, tudo certo para a viagem.

E no dia 28 de março minha casa foi assaltada. Nada como a violência urbana para jogar um balde de água fria em qualquer sonho, em qualquer esperança, em nossas vidas. E como se não bastasse o problema da violência urbana, ainda surgem problemas piores, advindos disso. Roupas-sujas que aparecem para serem lavadas bem nessa hora, e pessoas sem nenhum respeito pela dignidade, nem pelo momento alheio. Pelo menos, a experiência serviu para deixar bem claro certas coisas que ainda estavam ocultas, disfarçadas de bons sentimentos, ou de simples manias.

Mas, com assalto ou sem assalto, com cabeça quente ou não, eu embarquei em um Boeing no final da tarde do dia 19. Parti sozinho, devido às circunstâncias e ao horário. Sozinho, encarei meu sonho e embarquei. Cheguei em Brasília, e já botei o André, a Cibele e o Bruno metidos em uma “Quest for Yuri”. Devemos ter passado uns pelos outros umas 19 vezes, sem nos ver. Coisa de geek emocionado.

Foi naquele momento, que vi a Cibele correndo na minha direção, que percebi o quanto sentia falta dos meus velhos amigos. De quem me conhece realmente há muito tempo. Ali, naquele pedaço de terra cinzento, há quilômetros de distância, estava uma parte de minha história. O sopro da minha presença está lá, no coração de meus amigos. Isso me deu a energia que precisava para os próximos dias.

A agenda foi lotada e apertada. Sei que desapontamos alguns amigos que estavam por lá e queriam nos ver (e aqui expresso publicamente minhas desculpas para a Ariquel e para a Dragonesa), mas o sonho, e o pós-sonho, falaram com intensidade maior.

Chegamos no estádio lá pelas duas da tarde. Trocamos o voucher pelo ingresso, pegamos a fila errada, ri bastante dos “nativos” reclamando do calor (estava muito fresco, comparado com os padrões cuiabanos, tanto que fiquei de camiseta preta sob o sol sem nem suar), fomos para a fila correta, observamos nuvens negras fazerem curva e irem pra longe do estádio, confraternizamos com a turma da fila (composta por dentistas, técnicos de manutenção em aviões, universitários, e outros seres perdidos em outros pontos além do nosso alcance).

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Os portões foram abertos às 17:00, uma hora depois do horário previsto. Pegamos uma ótima localização, e passamos a tarde ouvindo o bom e velho hard, rock, e metal que vinha dos auto-falantes. Às 20:00 horas iniciou o show de Lauren Harris, filha do chefão Steve. Foi uma apresentação ok, não chegou a ser ruim. Na verdade, ela faz um rock adolescente básico, que os adolescentes atuais devem gostar. Quando eu era adolescente, eu gostava desse tipo de som. Vale reforçar o que já foi dito. A moça esbanja simpatia, e nem se importou com os gritos de “Maiden! Maiden!” ou “Evanescence! Evanescence!” que partiam da platéia a cada intervalo. :P

Britanicamente às 21:00, as luzes começam a brilhar, o discurso de Winston Churchill começa a ser ouvido, e toda a razão, toda a lógica, tudo o mais se perde. O sentimento e a emoção são sentidos em cada poro, em cada terminação nervosa, em cada centímetro de pele, pêlo, ossos, carne e sangue.

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Parafraseando o já citado Maurício Ângelo: as canções já estão gravadas no nosso inconsciente, pois ouvir cada uma delas é reviver cada bom momento em que elas estavam presentes. A performance dos caras no palco é indescritível. A energia e empolgação do Bruce, a força das três guitarras, a batida insana do Nicko, os graves potentes que saem do instrumento do Steve, tudo se soma, tudo se junta à força e à empolgação que emanam do público. É um êxtase, uma catarse, um orgasmo de duas horas.

O set list em si foi perfeito. Ouvir músicas que eu sei que jamais ouvirei novamente ao vivo (sim, eles voltam em 2.011 – e eu também), como The Rime of the Anciente Mariner, foi de arrancar lágrimas.

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Bruce, como o excelente frontman que é, interagiu conosco o tempo inteiro. Resolveu brigas, brincou com o pessoal, observou extasiado quando o pessoal da arquibancada fez o estádio tremer, batendo os pés, nos deu sua energia e sua empatia, e recebeu a nossa de volta. Janick fez seus malabarimos com a guitarra, e tocou como nunca. Adrian e Dave demonstraram que possuem realmente um vínculo telepático, o timing dos dois veteranos é perfeito. A energia que esses “senhores”, que essas lendas esbanjaram no palco, faz qualquer um perceber que eles estão ali porque gostam, porque amam tudo isso.

Como todo sonho, esse também terminou. Com a certeza de que parte do show estará do DVD da turnê (esse eu compro antecipado), e que eles retornarão com as novas músicas, do novo cd que será gravado, em 2.011.

As luzes se apagaram. A banda se despedira. Voltamos à realidade, com os corpos doídos e a voz desaparecida. Passamos uma madrugada acordados, dormimos o sábado inteiro, ou quase inteiro, e no domingo, retornamos às nossas rotinas.

Enfim, eu retornara. E posso dizer com certeza, que fiz parte da história do mundo, em 20/03/2009. Tenho algo para carregar por toda a minha vida, e que foi visto nessa data.

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E posso afirmar agora, com toda certeza:

”Oh well, whatever, whatever you are, Iron Maidens gonna get you, no matter how far”

Up the Irons!

Setlist:

- Intro (Playback: Doctor, Doctor / Transylvania / Winston Churchill’s speech)
- Aces High (Powerslave, 1984)
- Wrathchild (Killers, 1981)
- 2 Minutes To Midnight (Powerslave, 1984)
- Children Of The Damned (The Number Of The Beast, 1982)
- Phantom Of The Opera (Iron Maiden, 1980)
- The Trooper (Piece Of Mind, 1983)
- Wasted Years (Somewhere In Time, 1986)
- The Rime Of The Ancient Mariner (Powerslave, 1984)
- Powerslave (Powerslave, 1984)
- Run To The Hills (The Number Of The Beast, 1982)
- Fear Of The Dark (Fear Of The Dark, 1992)
- Hallowed Be Thy Name (The Number Of The Beast, 1982)
- Iron Maiden (Iron Maiden, 1980)

Bis:

- The Number Of The Beast (The Number Of The Beast, 1982)
- The Evil That Men Do (Seventh Son Of A Seventh Son, 1988)
- Sanctuary (Iron Maiden, 1980)

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